quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Mesmo assim, confie em Deus


Deus escolheu Abraão e fez uma promessa: Deus disse que ele seria pai de uma grande nação e que lhe daria uma terra que manaria leite e mel. Abraão gerou a Isaque e confirmou para Isaque a mesma promessa. Isaque gerou a Jacó e confirmou para Jacó a mesma promessa. Jacó teve doze filhos, dentre eles, José.

José foi vendido por seus irmãos ao Egito. Chegando lá, José foi abençoado por Deus em tudo que fazia. Faraó, rei do Egito, gostou de José e o colocou para ser o administrador das coisas do Egito. Por causa da seca que deu na terra, Deus conduziu toda a família de Jacó ao Egito e faraó permitiu que eles morassem numa das terras do Egito por causa da consideração que tinha por José. Depois destas coisas, se levantou um novo faraó que não conhecia a José, e ele passou a escravizar o povo israelita no Egito, de sorte que foram escravizados durante 400 anos. Essa escravidão foi pré-anunciada em Gn. 15.13, mas o versículo 14 pré-anuncia a liberdade do povo providenciada por Deus: veja o que diz Gn 15.13-14: “Então o SENHOR disse: — Fique sabendo, com certeza, que os seus descendentes viverão num país estrangeiro; ali serão escravos e serão maltratados durante quatrocentos anos. Mas eu castigarei a nação que os escravizar. E os seus descendentes, Abrão, sairão livres, levando muitas riquezas.

Nesta mensagem vamos entender, em 5 cenas, os pormenores de como se deu a liberdade do povo israelita providenciada por Deus.

1º cena: O povo israelita clama confiante por salvação ao Senhor. Observe Êxodo 2.23:Decorridos muitos dias, morreu o rei do Egito; os filhos de Israel gemiam sob a servidão e por causa dela clamaram, e o seu clamor subiu a Deus.” Realmente era uma dura escravidão, tanto que até provocava no povo israelita gemidos. Eles não estavam mais aguentando aquela situação de escravidão.

É comum as pessoas clamarem a Deus na hora da precisão. Veja dois exemplos no Evangelho de Mateus. Aquela vez quando os discípulos estavam com Jesus no barco em alto mar e aconteceu uma grande tempestade enquanto Jesus dormia. Eles, diante daquele risco de vida, clamaram ao Mestre (Mt. 8.23-27). Noutro momento é narrado o clamor de dois cegos: Tem compaixão de nós, Filho de Davi! (Mt. 9.27-31).

Nós também temos a nossa história de clamor. Quantas vezes já não clamamos a Deus na hora de alguma precisão? Algum problema de saúde, alguma situação financeira ruim, alguma prova a ser feita, algum problema familiar, algum problema na igreja, algum problema no nosso trabalho, enfim. Na verdade, pode ser que você esteja passando por algum problema atualmente. Tudo isto são exemplos semelhantes à história de escravidão do povo no Egito. Eles estavam precisando da ajuda do Senhor por isso clamaram a Deus. E nós também clamamos quando precisamos de ajuda.

2º cena: O Senhor dar atenção ao clamor do povo israelita. Observe Êxodo 2.24-25: Ouvindo Deus o seu gemido, lembrou-se da sua aliança com Abraão, com Isaque e com Jacó. E viu Deus os filhos de Israel e atentou para a sua condição.

Deus sabia que esse tempo de sofrimento chegaria à vida dos israelitas, pois Ele mesmo pré-anunciou em Gn 15.13 para Abraão. Assim também é com nossas vidas – Deus já sabe tudo o que acontecerá conosco. Quando passarmos por dificuldades, Deus já sabia que passaríamos. Quando passarmos por algum caso de doença séria, Deus já sabia que passaríamos. Quando passarmos por algum caso de morte na família, Deus já sabia que passaríamos. Nunca pense que Deus se surpreenderá com as nossas tribulações. Nunca pense que será uma surpresa para o Onisciente. Ele sabe de todas as coisas em todo tempo, seja presente, passado ou futuro. Isto é um motivo para confiar nele, crer que ele pode nos ajudar. Este é um motivo para estar sempre em constante oração ao Senhor, para entendermos sua vontade e propósito.

Observe que a narrativa mostra que Deus ouviu o clamor do povo israelita. O povo estava sendo escravizado em terra estrangeira. Mas Deus se lembrou do que havia prometido para os patriarcas: a promessa de uma terra boa que mana leite e mel. Com isto, aprendemos que quando Deus promete algo, ele cumpre, por isso precisamos confiar em Deus e esperar que no tempo certo ele socorrerá se estiver dentro do seu propósito.

Veja que Deus atentou para os sofrimentos de seus filhos. Atentar é o mesmo que dar atenção. Dar atenção representa cuidar. Isto é maravilhoso saber, pois quem somos nós para termos a atenção de Deus? Pois somos tão pecadores! Enquanto que Deus é tão santo, santo, santo! Mesmo assim, Deus deu atenção a eles, cuidou deles.

Semelhantemente, Deus volta o seu rosto para a sua igreja. Deus cuida do povo da nova aliança. O salmista, sabendo que Deus sempre olha pelo seu povo, escreveu o Salmo 31, onde os versos 1 e 2 diz: “Em ti, SENHOR, me refugio; não seja eu jamais envergonhado; livra-me por tua justiça. Inclina-me os ouvidos, livra-me depressa; sê o meu castelo forte, cidadela fortíssima que me salve.” Lembre-se sempre disto: o Senhor dar atenção ao seu clamor, por isso clame com fé, clame confiante.

3º cena: O Senhor manda a salvação para o povo israelita. Observe Êxodo 4.27-31: Disse também o SENHOR a Arão: Vai ao deserto para te encontrares com Moisés. Ele foi e, encontrando-o no monte de Deus, o beijou. Relatou Moisés a Arão todas as palavras do SENHOR, com as quais o enviara, e todos os sinais que lhe mandara. Então, se foram Moisés e Arão e ajuntaram todos os anciãos dos filhos de Israel. Arão falou todas as palavras que o SENHOR tinha dito a Moisés, e este fez os sinais à vista do povo. E o povo creu; e, tendo ouvido que o SENHOR havia visitado os filhos de Israel e lhes vira a aflição, inclinaram-se e o adoraram.”

Deus levantou Moisés e Arão para ir até faraó mostrar o poder de Deus e pedir que deixasse o povo israelita ir ao deserto para adorar a Deus. Moisés e Arão provaram para o povo que eram realmente a salvação enviada por Deus, tanto que Moisés fez alguns sinais sobrenaturais levando o povo a entender que aquilo era a mão de Deus e que foram enviados por Ele. O povo entendeu que Deus estava agindo por causa do clamor deles. É interessante a reação deles: o povo creu, se inclinou e adorou a Deus.

Do capítulo 5 ao 12, é narrado as 10 tentativas de Moisés e Arão em convencer Faraó para deixar o povo sair do Egito. Em cada uma destas tentativas, Deus mandava uma praga como castigo pela dureza do coração de Faraó. Somente na última praga, Faraó não suportou a dor da perda do seu filho primogênito e deixa o povo ir ao deserto para cultuar a Deus, pois a última praga foi muito dura para ele – a morte de seu filho primogênito.

Em tudo isto, Deus mostrou que não abandonou o povo. Tanto que durante o dia, Deus colocava uma nuvem sobre o povo por causa do sol; e durante a noite, Deus colocava uma coluna de fogo para clarear o caminho deles na caminha que começaram a fazer. Quando eles estavam saindo do Egito, Deus os conduziu por um caminho que foi parar em frente ao Mar Vermelho. Pode ser que alguns israelitas não tenham entendido por que Deus os conduziu para ficar encurralados no mar, mas o fato é que mais ou menos 1 milhão de israelitas estavam em frente ao mar sem ter saída e Faraó fica sabendo disto e se arrepende de ter liberado o povo e então organiza um grande exército para capturar pela espada todos os israelitas.

A liberdade do povo israelita do Egito estava deixando de ser um sonho maravilhoso, e se tornando um grande pesadelo, uma grande aflição em suas vidas, a maior tribulação deles. E pior do que isso é saber que a confiança do povo israelita no seu Deus estava sendo perdida. Agora eles estavam correndo risco de morrer pela espada dos egípcios e, pior, se distanciando do Deus deles.

Na próxima cena vamos acompanhar a reação do povo e eu peço que você compare esta nova reação com a reação anterior que eles tiveram quando Moisés fizera aqueles sinais miraculosos para provar que era mesmo a salvação que Deus havia enviado.

4º cena: O povo não entende e reage contra a salvação que Deus havia enviado. Observe Êxodo 14.10-12: E, chegando Faraó, os filhos de Israel levantaram os olhos, e eis que os egípcios vinham atrás deles, e temeram muito; então, os filhos de Israel clamaram ao SENHOR. Disseram a Moisés: Será, por não haver sepulcros no Egito, que nos tiraste de lá, para que morramos neste deserto? Por que nos trataste assim, fazendo-nos sair do Egito? Não é isso o que te dissemos no Egito: deixa-nos, para que sirvamos os egípcios? Pois melhor nos fora servir aos egípcios do que morrermos no deserto.”

Acompanhe esta ilustração: certa vez, um homem estava nadando no mar e se distanciou da praia indo para muito longe, onde não podia ver mais terra alguma, de sorte que para onde olhava só via água. Então ele clama a Deus por socorro. Depois de algum tempo, aparece um barco oferecendo socorro. Mas o homem rejeitou e disse: “Obrigado, mas eu já clamei a Deus. Ele vai vim me salvar.” Depois aparece um helicóptero oferecendo ajuda, mas ele diz “Obrigado, mas eu já clamei a Deus. Ele vai vim me salvar.” Antes de morrer afogado, porque não tinha mais força para flutuar na água, aparece um grande navio e joga uma boia e mandam-no segurar na boia, só que ele disse: “Obrigado, mas eu já clamei a Deus. Ele vai vim me salvar.” Depois disto, ele morre afogado. Quando chegou ao Céu, ele perguntou a Deus por que não havia escutado o clamor dele. Deus disse que havia escutado o clamor, atendido ao clamor e mandado não um, mas três socorros, só que ele era tão descrente que não entendeu que era a mão de Deus.

Às vezes clamamos por socorro a Deus, Deus responde, mas não entendemos a resposta de Deus e acabamos reagindo contra Deus. Era o que estava acontecendo com o povo israelita.

O povo ficou com medo e clamou novamente, mas, agora, o seu clamor não é mais o clamor de um povo confiante no Deus único e verdadeiro, como foi o clamor em Êx. 4.31 quando Moisés mostrara os sinais. Por isso, parece-me que para eles, clamar a Deus quando estavam no Egito com fé era fácil, porque não corriam riscos de vida, mas clamar a Deus quando estavam correndo riscos de vida era mais difícil. Os israelitas perderam a fé no Deus deles. Não confiou que Deus podia salvá-los daquela situação. O pensamento deles era: “Ele podia até nos tirar do Egito, mas não conseguirá nos salvar das espadas dos Egípcios.” Quantas vezes clamamos a Deus, mas não acreditamos sinceramente que ele vai nos dar atenção? Ou quantas vezes deixamos de clamar a Deus, porque não temos fé suficiente que Deus pode nos ajudar? A fé dos israelitas dependia das circunstâncias, enquanto não era tanto perigoso, eles clamaram, crentes e até adorarão, mas agora que a situação piorou, eles não tem a mesma atitude de fé que antes.

Além de ter apresentado um clamor sem fé, um clamor falso, o povo murmura contra Moisés e revela o verdadeiro caráter deles (v. 11-12). Isto nos ensina que quando estamos passando por uma grande aflição, revelamos quem realmente somos. Revelamos a nossa verdadeira personalidade, revelamos as nossas verdadeiras crenças. Acompanhe comigo o caráter do povo israelita quando posto à prova.

Irônicos e rancorosos (v. 11) – Será, por não haver sepulcros no Egito, que nos tiraste de lá, para que morramos neste deserto? Parafraseando... “Para morrer dessa forma no deserto, seria melhor ter ficado no Egito! Ou você acha que lá não existe quantidade suficiente de túmulos no cemitério para nós?

Ingratos (v. 11) – Por que nos trataste assim, fazendo-nos sair do Egito? Mas não foram eles mesmos que clamaram a Deus por socorro lá Êx. 2.23? Não foram eles que suplicaram a Deus que os tirasse da escravidão do Egito? Ao invés de agradecer, eles murmuraram com os corações cheios de ingratidão.

Incrédulos (v. 12) – Não é isso o que te dissemos no Egito: deixa-nos, para que sirvamos os egípcios? Pois melhor nos fora servir aos egípcios do que morrermos no deserto. Parafraseando... “Quando ainda estávamos no Egito, nós te advertimos, Moisés: Deixa-nos em Paz! Trabalharemos para os egípcios. Pois teria sido melhor termos ficado lá do que morrer pela espada dos egípcios.” Aqui, o povo estava se lembrando do que havia dito para Moisés depois da primeira vez que Moisés e Arão foram falar com Faraó para deixar o povo ir para o deserto, pois, depois que eles falaram, faraó havia aumentado o trabalho do povo e o sofrimento aumentou ainda mais, por isso eles disseram: “Deixa-nos em Paz! Trabalharemos para os egípcios.” Sobre isto, veja Êx. 5.20-21. E agora eles estavam se lembrando daquele caso. É como se eles estivessem “passando na cara” de Moisés: “Nós te avisamos, Moisés, para você nos deixar em paz! Agora é tarde demais, veja o que aconteceu: vamos morrer!” Isto representa que a incredulidade do povo estava arraigada durante todo o tempo no coração dos israelitas. Desde o princípio, eles não tinham fé que sairiam do Egito. Quando não confiamos realmente em Deus, qualquer coisa que der errado aos nossos olhos, logo ficamos desesperados e titubeamos na fé.

5º cena: As lições de Moisés para o povo. Observe Êxodo 14.13-14: Moisés, porém, respondeu ao povo: Não temais; aquietai-vos e vede o livramento do SENHOR que, hoje, vos fará; porque os egípcios, que hoje vedes, nunca mais os tornareis a ver. O SENHOR pelejará por vós, e vós vos calareis.

Confiem em Deus. Moisés estava lidando com pessoas incrédulas. Pessoas que diziam confiar em Deus, mas que na verdade não tinham fé genuína nele. Mas Moisés confiava que Deus não iria abandonar o povo naquele momento da angústia. A lição de Moisés para o povo é confiar em Deus, ao invés de ter medo.

Aquietai-vos. Fiquem calmos, tranquilos. Imagine, você na praia e um grande exército vem vindo atrás de você; e você não se agita, mas fica apreciando a brisa batendo nas palmeiras, observando a imensidão do mar, ouvindo as aves a cantar, enfim. Moisés estava mandando eles se portarem como um povo digno do Deus que crê, um povo que confia e que não fica atribulado. Ora! Será que o Deus que mandou 10 pragas sobrenaturais não podia destruir o exército de Faraó? O salmista também falou sobre isto: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra.” Sl. 46.10.

Vede o livramento. Moisés estava mandando-os ficarem apenas observando, pois Deus agiria. Muitas vezes, diante de certos problemas, não devemos agir, ficar preocupados, mas apenas observar Deus resolver o problema para nós. É como se nós ligássemos a TV e ficássemos assistindo Deus agindo (não quero dizer com isto que devemos se passivos em todas as dificuldades de nossa vida). Esta é a atitude de um verdadeiro crente cheio de fé: esperar pela resposta, pelo livramento de Deus, ao invés de abandonar a fé. Deus afastou os problemas para bem longe deles, na verdade, Deus afogou o problema. É isto que Deus faz com os nossos problemas, quando deixamos Ele os resolver.

Parem de se reclamar. Os israelitas, ao invés de confiar em Deus, estavam se reclamando, brigando com Deus. O que Moisés diz é que eles deveriam se calar e observar a ação de Deus. Também deveria ser esta a nossa atitude diante das nossas provações, dos problemas. Ao invés de xingarmos a Deus, deveríamos nos aproximarmos dele; ao invés de abandonarmos Deus, deveríamos manter comunhão com ele, pela oração e meditação na Palavra.

Hoje aprendemos que os israelitas é um mau exemplo de confiança em Deus, enquanto que Moisés foi firme em sua fé no seu Deus. Aprendemos também que Deus é fiel e cumpre suas promessas e protege o seu povo. Deus simplesmente abriu o Mar Vermelho e aquele povo incrédulo, irônico, rancoroso, ingrato, passou de pés enxutos e quando faraó e seu exército vinham atrás deles, Deus fechou o Mar com todos dentro e morreram afogados. Pronto! Simples não foi?! Para Deus não há impossíveis, por isso para Deus resolver os problemas da nossa vida é fácil. Bastava apenas o povo ter confiado em Deus, mas não fizeram. Agora eles estão livres e caminhando para a terra prometida que mana leite e mel, mas tiveram o desprazer de não confiar em Deus, enquanto que Moisés teve o prazer de crer. Diante desta história, a nossa lição principal é: mesmo que não entendamos a ação de Deus em nossas vidas, precisamos confiar em Deus.

Pode ser que você esteja vivendo sem confiar em Deus. Pode ser que você não esteja com fé que Deus vai solucionar o seu problema, mas lembre-se que ele não desampara seus filhos. O meu desafio a você é que você passe a confiar em Deus, pois ele pode solucionar seus problemas. Salmo 37.6 diz: “Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará.” Então por que se reclamar com Deus se a situação está ruim? Por que abandonar a fé se a situação está ruim? Por que ficar ansioso se a situação está ruim? Por que ficar rancoroso se a tribulação está aumentando? Por que ser ingrato, esquecendo-se de tantos benefícios que Deus já fez por ti, só por que as dificuldades não acabam? Faça como o salmista diz: “Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará.” Moisés fez isto, Moisés confiou em Deus e também advertiu o povo israelita a fazer o mesmo. Você vai fazer também o mesmo? Você vai confiar em Deus em qualquer situação na sua vida?

Que Deus te abençoe.

A serviço do Mestre

Tibério Bezerra

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