quinta-feira, 6 de setembro de 2012

deuses? diante de Deus?


Pode ser que para alguns parecesse chato, ruim ou exagero, se um pregador começasse sua mensagem colocando algumas exigências do tipo: Não converse com o próximo! Não brinque no celular! Não perca a atenção! Não saia durante o sermão! Na verdade, não gostamos de escutar alguém nos proibindo de fazer alguma coisa. Pergunte ao seu filho se ele gosta quando você o proíbe: “Não jogue bola hoje à tarde!” Na verdade, penso que são poucos os que gostam de proibições, pois a nossa natureza pecaminosa nos leva a fazermos o que queremos com as nossas vidas. Todavia, muitas vezes, as proibições são necessárias, e quando vindas de Deus são imprescindíveis.

Os Dez Mandamentos de Êx. 20.1-17 contêm proibições e são divididos em duas partes. Os quatro primeiros são ordens de como os hebreus deveriam se relacionar com Deus numa relação vertical. Os outros seis são exigências para o relacionamento entre pessoas na comunidade hebraica numa relação horizontal. Esses mandamentos, apesar de não terem sido escritos diretamente para a igreja, e sim para os judeus, mesmo assim, há princípios imprescindíveis aplicados à igreja. Jesus resumiu os Dez mandamentos em dois: Veja Mt. 22.34-40. A tônica é (1) amar a Deus de todo coração, de toda alma, todas as forças e de todo o entendimento, e (2) amar ao próximo como a si mesmo, veja Dt. 6.5 e Lv. 19.18. Nesta meditação, tiraremos algumas aplicações do primeiro mandamento.

Êx. 20.1-3: “Então, falou Deus todas estas palavras: Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão. Não terás outros deuses diante de mim.

A expressão “Todas estas palavras” é uma referência exatamente aos dez mandamentos que Deus passa a ensinar para Moisés, veja estas referências Êx. 34.28; Dt 4.13. “Esta palavras são os 10 princípios éticos que moldariam o comportamento do povo hebreu diante de Deus e do próximo. Na verdade, não são apenas princípios éticos, são princípios éticos agradáveis a Deus. Se obedecidos, o povo agradaria a Deus!

A expressão “Eu sou o SENHOR, teu Deus” indica que há apenas um Deus verdadeiro, e que o povo deveria cultuar somente a este Deus. A realidade no Egito era bem diferente, pois existiam milhares de deuses falsos. Deus mostrou para o povo egípcio que os inúmeros deuses deles eram falsos, quando libertou os hebreus da escravidão. Deus envergonhou e zombou dos egípcios, mostrando sua glória através das 10 pragas sobrenaturais. Deus endureceu o coração de faraó para mostrar o tamanho de sua glória, veja Êx 7.3;-5; 9.12; 10.1-2, 20; 11.9-10. Deus mostrou para faraó que o Deus do povo hebreu era o único e verdadeiro, ao passo que faraó reconheceu a grandeza de Deus, veja Êx. 10.16-17.

A expressão “Tirei da terra do Egito, da casa da servidão” levava o povo a se lembrar da liberdade dada por Deus. Deus escolheu um povo para ser o Deus deste povo. Esta escolha começou com Abraão. Os hebreus eram o povo de propriedade exclusiva de Deus, veja Êx. 19.5-6. Essa exclusividade implicava em fidelidade da parte do povo hebreu para com o seu Deus. O interessante é que o apóstolo Pedro também chamou a igreja de povo de propriedade exclusiva de Deus, veja I Pe. 2.9. Deus quer a igreja só pra Si. Isto implica dizer que a igreja precisa ser leal ao seu Deus, servindo somente ao único Deus verdadeiro, assim como os hebreus deveriam ser fieis ao Deus Jeová.

A expressão “Não terás outros deuses” representa o monoteísmo dentro do judaísmo. Os judeus seriam a única nação a terem apenas um Deus, os judeus seriam a única nação a ser fiel apenas a um Deus. Isto era incomum, na verdade a maioria das nações contemporâneas era politeísta. Isto fazia da nação israelita diferente das demais. As outras nações poderiam achar isto estranho e prepotente da parte dos judeus, o fato de terem apenas um Deus e ainda assim dizer que só este Deus, o EU SOU, é o único Deus verdadeiro. Imagine um homem monogâmico morando numa sociedade poligâmica e dizendo que a sua esposa é a mais bonita de todas. Para os outros homens, esta atitude seria estranha; e prepotente, o fato de dizer que a sua esposa seria a mais bonita.

Com este mandamento, “Não terás outros deuses”, Deus não estava dizendo para o povo escolher dentre os deuses a Ele, mas Deus estava mostrando que só há um Deus verdadeiro, veja Dt. 6.4; Is. 45.5-6; I Co. 8.4. Se os outros povos adoravam a outros deuses, eles estavam adorando ao vento, ao nada, estavam correndo de um lado para o outro numa atitude sem valor, perdendo tempo. Os hebreus não deveriam cair no mesmo pecado, mas deveriam devotar toda a sua vida ao Deus verdadeiro.

A expressão “Diante de mim” significa “diante da minha face”. Isto quer dizer que o povo judeu não deveria ter outro deus diante da face de Deus. Vamos ilustrar com o recasamento. Uma pessoa somente está livre de seu cônjuge para casar com outra pessoa quando um não estiver mais diante da face do outro, ou seja, somente quando um morrer o cônjuge estará livre. Da mesma forma, o povo só deveria ir atrás de outro deus, quando Deus morresse. Sendo assim, o que Deus estava dizendo é que eles nunca deveriam ter outro deus diante de Sua face, porque o EU SOU é o Deus auto existente, o Deus eterno que nunca vai morrer. Deus sempre vai está vivo. Assim, o mandamento implica em um compromisso de fidelidade plena e perpétua que não pode ser quebrado, em hipótese alguma.

Caro leitor, Deus criou cada ser humano com uma necessidade espiritual que somente Ele mesmo pode saciar. Infelizmente, muitos correm atrás de saciá-la com deuses falsos. Por exemplo: observe aqueles torcedores fanáticos por algum time de futebol que viram noites e mais noites nas ruas para conseguirem um ingresso para assistir ao jogo. Eles estão endeusando um time, tentando saciando a sede que têm por Deus, num deus falso, passageiro e que logo, logo, será trocado por outro deus, porque não conseguiu ter sua sede espiritual saciada.

O que é um deus? É qualquer pessoa ou qualquer coisa que tire o verdadeiro Deus do centro do coração do homem, veja At 14.15. O centro do nosso coração deve ser exclusivamente de Deus, mas quando colocamos qualquer coisa no lugar de Deus, estaremos trocando o Deus verdadeiro por um deus falso. É possível que o cristão troque a Deus por um deus falso e isto é um pecado terrível, abominação ao SENHOR. “Quando criamos necessidades de coisas supérfluas e passamos a viver em função de coisas e bens, estamos endeusando.” Então, como saber se eu tenho algum deus falso no coração? Como saber se eu estou quebrando o mandamento: “Não tenhas outros deuses diante de mim”? Faça duas perguntas para si: (1) O que eu mais valorizo? (2) Com quem ou com o quê eu gasto mais meu tempo? Se a resposta não for Deus, então, é possível que você esteja endeusando alguém ou alguma pessoa que não é o Deus verdadeiro. Se a pessoa que você mais valoriza não for Deus, se o seu tempo não é gasto em fazer a vontade de Deus, então, há um deus falso no centro do seu coração, roubando o lugar de Deus.

Na verdade, Deus quer o centro do coração de todo cristão só para Ele. Não devemos colocar pessoas ou coisas no trono do nosso coração. Mesmo assim, é possível acontecer isto. Veja estes exemplos: Podemos endeusar nosso namorado (a): deixar de ir ao culto ou fazer nosso devocional para namorar. Podemos endeusar nosso marido ou esposa. Podemos endeusar nossos filhos. Podemos endeusar nossos estudos. Podemos endeusar a TV. Podemos endeusar o nosso time de futebol. Podemos endeusar algum cantor (a) gospel. Podemos endeusar os nossos afazeres domésticos. Podemos endeusar o dinheiro. Sobre este deus tão perigoso, Jesus disse: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro, ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.” (Mt 6.24). O materialismo tem inundado o coração de muitos crentes, este deve ser um dos deuses atuais mais comuns entre os cristãos. Trabalhar demais por coisas materiais é criar um ídolo no coração. Veja a resposta de Jesus a Satanás sobre o deus materialismo em Mt 4.8-10.

Até mesmo uma ideia pode se tornar um deus para uma pessoa, por exemplo: um ateu diria que não tem Deus ou deuses em sua vida, mas nesta insistência dele, o deus dele é a sua própria ideia de que não há Deus ou deuses. E um último exemplo de deus: podemos endeusar a nós mesmos: “EU”. O “EU” deve ser o deus falso mais comum entre os cristãos. É o deus mais sutil. Por exemplo, quando alguém não perdoa, nem ama o próximo por causa do orgulho, por causa do “EU”, é porque ele está valorizando a ele mesmo e invalidando a Palavra de Deus que nos desafia a amar e perdoar. O orgulho é um deus falso que deve ser combatido no coração de todo cristão.

Sabe qual era a punição no Antigo Testamento para os idólatras? Era a destruição dele, veja Êx. 22.20; Dt 6.13-15. O dramático de tudo isto, é que enquanto Deus dizia, não terás outros deuses diante de mim, o povo estava criando um bezerro de ouro para endeusá-lo, idolatrá-lo. Mas Deus mandou matar a todos os idólatras. Será que isto acontece com você? Enquanto a Palavra de Deus diz: “não terás outros deuses diante de mim”, será que você tem ídolos no seu coração neste instante? Se tiver, então tire este ídolo, e volte para o monoteísmo verdadeiro, em Cristo Jesus. Não ache chato, ruim ou exagero, quando Deus diz: “Não tenha outros deuses diante de mim”, pelo contrário, viva a vida cristã agradando a Deus conforme este mandamento para a honra e glória de Deus.

Tibério Bezerra


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