quinta-feira, 21 de novembro de 2013

simplesmente, se praticares as Minhas Palavras




Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína (Mt 7.24-27).



O que é “praticar as minhas palavras”?

Negativamente, é praticar não de forma legalista, e, positivamente, é satisfazer-se em Deus através da obediência. O legalista aparentemente pratica a Palavra, mas não se satisfaz em Deus, antes, se alegra em sua própria glória, no fim, ele não pratica a Palavra genuinamente. E Jesus está falando sobre praticar a Palavra verdadeiramente. Deus nos criou e salvou para que tenhamos prazer nele, atentando para a sua lei e praticando-a. Também, além de nos comprazermos em Deus, o outro lado da moeda, é que nós também alegraremos a Deus quando nos satisfazermos nele, isto é, quando obedecermos a sua Palavra. Saul deveria se alegrar em obedecer a Deus, assim, ele conseguiria levar prazer ao coração do Senhor, mas optou em ser legalista, apresentando sacrifício em detrimento do se alegrar em Deus, obedecendo a sua Palavra (1 Sm 15.22). Com outras Palavras, Deus se alegra quando praticamos a sua Palavra ou quando o obedecemos. Assim, praticar as minhas palavras é levar alegria e prazer ao coração de Deus. No final do Sermão do Monte, Jesus nos ensina que somente alegrando a Deus, através da nossa obediência a ele, é que nós edificamos a nossa vida. Não há outra maneira de construir uma vida se não for pelo obedecer a Deus de todo coração, caso contrário, estaríamos implodindo nossas vidas. Como Pv 14.27 diz: o temor a Deus é fonte de vida. No final do livro de Eclesiastes, Salomão concluiu também que temer a Deus, obedecendo-o pela sua Palavra, é a suma da vida, ou, é a essência de viver. Muitos buscam alegria para suas vidas, mas só no obedecer ou praticar as Palavras de Jesus é que a encontrarão.

Praticar a Palavra de Deus é uma prova do nosso amor por Deus. Wayne Gruden em sua Teologia Sistemática afirma que amar é levar alegria e prazer ao coração da pessoa a quem se ama. A pergunta é: estamos alegrando a Deus ao nos satisfazer simplesmente e tão-somente em obedecer de coração e não de modo hipócrita a sua Palavra? Se sim, Deus é amado por nós, é adorado por nós, é glorificado, é exaltado e finalmente é satisfeito em nós. Jesus em Jo 14.23-24 adverte que aquele que diz que ama a Deus, guarda os seus mandamentos, isto é, vive penetrado na Palavra.

O desafio para a vida cristã, então, é praticar a Palavra de Deus com esta motivação de alegrar a Deus, de amá-lo, caso contrário, em nosso viver cristão não estaríamos alegrando a Deus, mas entristecendo o seu coração e estaríamos enveredando para uma vida legalista que auto se arruinaria. Com isto não quero dizer que Deus está carente de alegria, que ele é triste ou vive “chorando se arrastando pelas ruas do Céu”. Na verdade, Deus em essência é alegre e satisfeito em si mesmo, sua alegria é completa e plena e não precisa de mais ninguém. O Deus Trino tem repleta satisfação em si, um ama o outro, um alegra o outro e um se satisfaz no outro. Mas, em relação a sua criação, o Deus Trino se entristece e se alegra. Entristece-se quando resolvemos não dá atenção a sua Palavra para termos uma vida de rebelião, mas se alegra quando a praticamos de coração. Neste sentido cabe uma ilustração aqui: é como um pai que se alegra quando um filho o obedece ou se entristece ao resolver andar em rebeldia.

Outro aspecto interessante do praticar as minhas palavras é a liberdade. Quando edificamos a nossa vida na Palavra, somos livres. Praticar a Lei do Senhor é igual a ter liberdade para nossa vida. (Tg 1.25). A expressão: “obediência à lei”, aparentemente, parece trazer tristeza, ser algo pesaroso, algo que, na verdade, tira a liberdade de alguém e tendemos a pensar que somente somos alegres quando somos “livres” para fazermos o que queremos e só assim seremos felizes. Tendemos a pensar, por causa das influências mundanas e de nossa própria natureza depravada no pecado, que somos alegres apenas quando não devemos obediência a ninguém. Carnalmente, somos tentados a achar que quando obedecemos estamos presos em profunda tristeza, algemados e temos as nossas ações limitadas. Mas a verdade, é que o melhor lugar para o cristão está é debaixo da obediência à Palavra de Deus, pois é mais seguro, mais confiável e é vida para nossa alma. Obedecer a sua Palavra é está preso e ao mesmo tempo verdadeiramente livre. É debaixo desta lei que teremos liberdade para experimentarmos a realidade da vida em Cristo. Uma vida que é repleta de alegria, uma vida alegre que vai muito mais além do que racionalizar o cristianismo tornando-o uma religião fria e legalista. Uma vida alegre que vai muitos mais do que cumprir as regras pelas regras. Mas também um cristianismo que está distante da libertinagem, longe de uma vida devassa. E sim, um cristianismo que está pautado na Pessoa de Deus, o Ser que é amor e abundante em alegria. Um Cristianismo que tem Deus como a medida de todas as coisas, o padrão de tudo. Se vivermos neste paradoxo, a submissão que liberta, teremos sucesso na vida cristã que será repleta de alegria em Deus, como Tiago diz no final do versículo.

Para clarificar, usemos o perdão como exemplo. Pode parecer que verdadeira liberdade é você querer dizer: “EU NÃO PERDOOU E PRONTO”. Mas isto não é liberdade, e sim, prisão. Porém se nos prendemos na lei de Deus e perdoamos, seremos livres, consequentemente, nos alegraremos em Deus e Deus se alegrará em nós. Mas se não perdoamos, achando que limitaria a liberdade, na verdade, estaríamos nos aprisionando, seríamos tristes longe de Deus e consequentemente Deus não se alegraria em nós. Observe: já percebeu que quando temos uma pessoa para perdoar e não a perdoamos, aquela pessoa é destaque onde quer que estejamos? Onde quer que você esteja, quem será a primeira pessoa que lhe chamará a atenção naquele recinto? Resposta: justamente aquela a quem não perdoamos. Assim, estaremos presos na nossa “liberdade”. Nossas ações serão limitadas, pois certamente, não sentaremos no mesmo banco da Igreja onde ela está, desviaremos a calçada se ele vier em nossa direção ou até dormiremos no sofá. Onde está mesmo a "liberdade"? Onde está mesmo a "alegria"? Ou imagine um pai que não perdoa um filho. Como deve ser o clima na mesa de jantar? Resposta: o pai está preso em suas ações, em seu falar e até no seu comer, a comida descerá como uma pedra rasgando seu esôfago por conta do ódio que sente no coração, exatamente, porque se acha livre em dizer: “EU NÃO PERDOU”. E isto continuará até ele se libertar verdadeiramente, se alegrando em Deus ao obedecer simplesmente a sua Palavra: perdoe. Jesus ensina no Sermão do Monte que se submeter a Deus é construir uma casa onde a alegria será uma das residentes. Mas se resistimos a Santa Palavra, sempre estaremos tristes quando lembrarmos daquela pessoa com quem não falamos, sempre estaremos incomodados perto delas, sempre limitaremos as nossas ações porque ela está por perto, poderemos até sofrer de doenças do tipo gastrite e, pior, não seremos perdoados por Deus se não, obediente e alegremente, perdoarmos o nosso filho, filha, irmão, amigo, pai, mãe, o nosso maior inimigo, etc. 

Praticar as minhas Palavras é como ser um discípulo prudente que responde de coração ao seu mestre. Ele não se ilude pelas falácias ou mentiras do legalismo, ele não se contenta pela vida medíocre do hipócrita, ele não se sente atraído pelas falsas práticas do religioso. Não se engana pelas amizades que querem lhe puxar para a carnalidade. Mas para o verdadeiro discípulo, praticar a obediência se torna um fundamento sólido, uma rocha para sua vida. Será um escudo para resistir às tormentas da vida. Percebe-se que no texto do Sermão do Monte, Mt 7.24-27, as tempestades são presentes em todas as vidas. Certamente, algumas pessoas sofrem mais do que outras. Mas todos têm problemas, todos passam por adversidades, todos têm o seu momento de aflição. Mas o interessante é que o foco de Jesus não está nos problemas. O foco de Jesus está na obediência a sua Palavra. Assim, simplesmente, o desafio de Jesus para nossas vidas é: não tenha um olhar dobre, mas simplesmente olhe para Jesus e obedeça-o alegremente. Jesus requer que sejamos crentes fiéis a ele obedecendo a sua Palavra, que nos alegremos em amar seus mandamentos, não considera-os como pesarosos ou penosos, mas como fonte de vida bem sucedida.

Mas onde mesmo está o nosso foco quando surgem os problemas? Nos problemas? Se colocarmos o nosso foco nas coisas desta terra, teremos um olhar mau, e nos frustraremos a respeito da provisão de Deus, abandonaremos a fé e ainda xingaremos Deus. Mas se o nosso olhar for bom, isto é, simples e não composto, se o nosso olhar estiver pautado na alegria em obedecer a Deus, estejamos certos de que seremos livres em nossas vidas submissas, estaremos seguros em nossas casas bem edificadas, seremos fortes para resistir o temporal e nos alegraremos em Deus e Deus se satisfará em nós. Jesus diz: simplesmente, se praticares a Minhas Palavras!

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