quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Por que Jesus foi batizado?

O texto de Mateus 3.13-17 narra o evento profético do batismo de Jesus:

Então Jesus veio da Galiléia ao Jordão para ser batizado por João. João, porém, tentou impedi-lo, dizendo: "Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim? " Respondeu Jesus: "Deixe assim por enquanto; convém que assim façamos, para cumprir toda a justiça". E João concordou. Assim que Jesus foi batizado, saiu da água. Naquele momento os céus se abriram, e ele viu o Espírito de Deus descendo como pomba e pousando sobre ele. Então uma voz dos céus disse: "Este é o meu Filho amado, em quem me agrado". 

João relutou em batiza-Lo. Entendia que Jesus não precisava se submeter àquele simbolismo de arrependimento e fé, pois não era pecador (Jo 1.29), pelo contrário, sabia que era o Rei do Reino dos céus. João é quem esperava ser batizado por ele. Mas a resposta de Jesus esclarece o por que da necessidade do seu batismo: ‘‘Deixa por enquanto, porque, assim, nos é conveniente cumprir toda a justiça’’ (Mt 3.15).

Jesus iniciou sua resposta falando sobre tempo (por enquanto). De certa maneira, estava correta a relutância de João, porém naquele momento da história, o batismo era necessário. O tempo da primeira vinda de Jesus seria de submissão à sua grande missão de morte na Cruz e João entendia que ele era o Cordeiro de Deus (Jo 1.29). Mesmo sendo Rei, se submeteu ao sacrifício. Então é como se Jesus dissesse: ‘‘Não ficarei crucificado para sempre, por isso, ‘João’, por enquanto, é necessário que eu seja batizado, isto é, submeta-me à minha missão de substituição! Mas eu sou o Rei, saiba que serei exaltado e estabelecerei o meu Reino plenamente’’.

Agora, o motivo do batismo consiste somente na Missão? Isaías 42.1 nos ajuda a entendermos um pouco mais: ‘‘Eis aqui o meu servo, a quem sustenho; o meu escolhido, em quem a minha alma se compraz; pus sobre ele o meu Espírito, e ele promulgará o direito (a justiça) para os gentios.’’ À luz de Isaías, entendemos que o principal motivo do batismo de Jesus foi o de demonstrar a todos a sua obediência à vontade do Pai. Em outras palavras, publicar diante dos homens a decisão eterna da Trindade em providenciar morada no seu Reino eterno para pecadores judeus e gentios!

Tanto que no momento do batismo, enxergamos Is 42.1: o Filho aceitando a missão servil de promulgar a justiça, o Espírito Santo descendo sem medida sobre Jesus (Jo 3.34) e a voz do Pai bradando dos céus: ‘‘Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo’’. Aqui nós temos Jesus providenciando a Justiça para o povo, a unção com Espírito que conduziria o Filho a cumprir todo o querer de Deus (At 10.38-39) e a satisfação do Pai em ver a obediência do Filho.

O batismo de Jesus representou a aceitação e iniciação do seu ministério messiânico aqui na terra. Cumprir a justiça implicava em cumprir a vontade do Pai. A justiça da qual Isaías já havia anunciado: ‘‘...ele tomou sobre si...ele foi traspassado pelas nossas transgressões... o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados’’ (53.4-5). E que Paulo testemunhou ‘‘Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.’’ (2 Co 5.21).

A justiça de Deus é a salvação dos seus eleitos por meio do ato vicário de Cristo na Cruz do Calvário no lugar dos seus eleitos. Justiça esta que Jesus assumia publicamente ali! Cristo cumpriria obedientemente sua missão, por isso, se submeteu ao batismo como indicação pública da sua obediência a Deus de realizar a missão de assumir a Cruz no lugar de pecadores, promulgando a justiça decretada nos tempos eternos (este é o motivo do Batismo de Jesus). Não apenas aos judeus! Justiça que traz alívio eterno a todo pecador, inclusive gentios! Justiça que insere todo o que se arrepende e crê no reino dos céus.

Aprendemos então que o testemunho do batismo de Jesus é a submissão à vontade do Pai por realizar a justiça Divina anunciada por Isaías. Aqueles judeus que fossem perspicazes perceberiam naquele momento que o Reino é chegado, porque o Rei chegou, está recebendo o Espírito e o Pai está se alegrando nele, tal como o profeta pregou (mas quem certamente sabemos que percebeu foi Satanás, veja o Cap. 4). João Batista também percebeu (apesar de desconfiar mais a frente - Mt 11.2-3). Também aprendemos que a justiça do reino não seria exclusiva dos judeus, mas seria igualmente promulgada entre os gentios.

Qual é a relação do batismo de Jesus com a sua vida? Eu diria inúmeras!

Mas pense primeiro nisso... O batismo de Jesus testemunha a justiça de Deus que você pode encontrar ao se arrepender e colocar sua fé no que Jesus fez. Ao se apropriar do sacrifício de Cristo, entenda que o pecado não te condena mais e nem mesmo domina a vida do que foi justificado em Cristo que agora possui nova vida.

Uma vida nova como a de Jesus disposta a se submeter à vontade do Pai, conduzida pelo Espírito Santo! Eu fico pensando... se existem crentes verdadeiros vivendo na prática de pecados, qual foi a justiça promulgada a eles? A justiça de que: "Jesus olha para o pecador e então diz: 'Amigo, morri na Cruz para pagar o preço dos seus pecados, então, agora você está livre, livre para pecar, pois você não será mais condenado, eu morri por você!"? Será que existe algo mais desprezível e diabólico do que este tipo de pensamento acolhido, não duvido, por tantos teólogos que conhecem tão bem esta justiça no intelecto, mas que ainda está entalada no pescoço e não desceu ao coração? Se você não é um "teólogo", mas se entendeu a justiça de Cristo e a despreza, qual é a diferença?

Entendo que o batismo de Jesus que testifica a sua submissão voluntária do Filho ao Pai, da sua vida no Espírito e do ato de providenciar justiça ao pecador, leva, naturalmente, o arrependido e crente nesta justiça, nascido do Espírito, a uma vida de santidade e justiça exigida para os súditos do Reino. Quanto a este viver santo e justo, veja Mt 5 - 7 e Rm 6.


Tibério Bezerra

3 comentários:

  1. Olá, Pastor.
    Obrigado por sua participação aqui no Aplicações pra Vida, contribuindo com sua percepção sobre a postagem.
    Ore a nosso favor, no sentindo de que este trabalho alcance almas perdidas e edifique o povo de Deus!
    Deus abençoe a Vacaria!
    Forte abraço.

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